Em entrevista ao The Wall Street Journal, o empresário e amigo de Justin BieberScooter Braun, contou  sobre sua relação com o cantor nos momentos difíceis que passaram alguns anos atrás, e como foi o planejamento de seu retorno público após superar problemas pessoais. Confira a tradução do trecho da matéria abaixo:

O cliente mais antigo de Braun [Justin Bieber], que cresceu (e tropeçou feio) aos olhos do público, raramente perde a chance de se divertir com ele [Scooter Braun], mas não quando perguntado sobre seu impacto. “Ele é ótimo no que faz. Mas mais do que isso, estou orgulhoso do bom homem que ele é”, diz Bieber sobre Braun via e–mail. “Ele mudou minha vida. Ele é o melhor nos negócios”.

A admiração é mútua entre Braun e Bieber, que foram inextricavelmente ligados durante a última década. “Ele é família. Eu acho que o relacionamento é mais como um grande irmão, principalmente porque ele se tornou um homem”, diz Braun. “Eu acho que ele viu o pior de si mesmo, e vê-lo sair daquilo foi incrível”.

O renascimento tipo fênix de Bieber, que começou em 2015 após um ano e meio infernal de turbulência pessoal e profissional, não foi uma conclusão precipitada. Braun construiu um plano de retorno de dois anos que começou reintroduzindo Bieber ao público através de um lançamento de fé: um roast de celebridade – uma ideia de alto risco e de alta recompensa lançada por um estagiário (Braun pediu ideias para escritório inteiro) e que Braun aprovou instantaneamente. Mas depois que o Comedy Central Roast foi anunciado, Bieber mudou de ideia. “Ele ficou nervoso”, lembra Braun. “Eu disse, ‘e se eu conseguir alguém que você realmente confia pra apresentar?’” Ele ficou tipo, ‘Quem?’ Eu disse, ‘Kevin Hart’. Então ele falou, ‘Você consegue Kevin Hart, eu faço isso’”. Um problema, Hart estava comprometido em divulgar seu filme Get Hard. Braun usou seu poder de persuasão com o comediante, um amigo de longa data, e seu empresário, Dave Becky. Hart não apenas acabou apresentando, mas sua co-estrela de Get Hard Will Ferrell também se juntou ao time que zombou impiedosamente de Bieber. Até mesmo Shaquille O’Neal, Martha Stewart e Snoop Dogg entraram no ato. E uma coisa engraçada aconteceu em meio a hilariante humilhação: Bieber, boca grande, pirralho mimado e bad boy, foi humanizado e simpático novamente.

Desde então, apesar do cancelamento recente das datas restantes de sua turnê Purpose, Bieber têm estado em uma lista estendida. Tão entusiasmando quanto Braun estava em maio quando Bieber tinha dois singles de volta às primeiras posições, ele parecia mais satisfeito pelo fato de que uma das canções no topo era a versão de “Despacito” que Bieber gravou com as estrelas de Porto Rico Luis Fonsi e Daddy Yankee. O vídeo do single se tornou o mais assistido da história no YouTube, acumulando mais de 3,7 bilhões de visualizações, e entre as versões, a música mais transmitida,com mais de cinco bilhões de vezes tocada. Nenhuma canção na história ocupou a posição nº 1 no Billboard top 100 por mais tempo, mas essa não é a razão pela qual Braun está tão satisfeito. Em agosto, promovendo o fato de que “Despacito” se tornou a canção mais transmitida , Braun tweetou: “Latinos, se orgulhem de sua herança. Vocês fazem parte do sonho Americano. @realDonaldTrump curte a música.” Como ele explica: “Tem uma grande parte do país que está sendo insultado agora, e eles merecem ver que a música nº 1 é em espanhol.”Braun insistiu em manter os versos em espanhol. “Eu fiz de propósito. Justin não teve nada a ver com isso. Ele apenas amou a música e arrebentou.”

Braun se esforça para manter seus artistas longe de brigas políticas. “Se meus atos não são apaixonados por política, prefiro não dizer nada”, diz Braun. “Surgiu que eu não aceitaria a grande oferta da campanha de Trump para que Justin se apresentasse no Comitê Nacional Republicano (RNC) – tipo, $5 milhões por um set de 45 minutos – e todo mundo ficou tipo, ‘Meu Deus Scooter impediu porque ele é muito liberal’. Mas o que as pessoas não sabem é que o Comitê Nacional Democrata (DNC), assim que viram as notícias, me ligaram e perguntaram ‘Nós podemos ter ele se apresentando?’ Eles sabiam que isso seria um grande vai se f*. Eu disse ‘Não, ele também não vai se apresentar pra vocês. Não o envolva em suas políticas. Ele é Canadense.’” […]

Braun está profundamente consciente de sua posição privilegiada. “Eu tenho inconvenientes, outras pessoas tem problemas. Os meus se sentem importantes, mas não são”, diz Braun. “Eles não são vida ou morte. A coisas de Justin chegaram a um ponto que era um problema.”

Se isso parece uma habilidade de reconhecimento que as brigas passadas de Bieber contra o abuso de substâncias ameaçavam a vida, que assim seja. “Foi pior do que as pessoas perceberam”, diz Braun. As crises agrediram a reputação de Bieber bem como a confiança de Braun. “Eu falhei com ele dia após dia”, afirma Braun. “Nós estávamos vivendo um inferno porque ele estava em um lugar tão escuro.”

Como os incidentes montados – fotos de Bieber aparentemente fumando um baseado, vídeo dele urinando em um balde na cozinha de um restaurante, discutindo com paparazzi, um mandato prisão por dirigir embriagado (que posteriormente foi retirado após um pedido de acordo) – outros tentaram convencer Braun a cortar a isca. “Algumas das maiores pessoas da indústria, pessoas que investiram na carreira de Justin, me disseram: ‘Acabou. Foque em outra coisa. Esse garoto está acabado’”, lembra Braun. Sua resposta aos pessimistas: “Eu fiz uma promessa à ele quando ele tinha 13 anos que eu nunca iria desistir dele. Eu planejo manter essa promessa.”

Ao mesmo tempo, Braun diz que Bieber não sentia que seu amigo e empresário, o qual precisava manter distância dele, estava o apoiando. “Nosso relacionamento realmente lutou”, lembra Braun, “Mas eu comecei a aprender coisas que me tornaram um homem melhor.” Entre outros esforços, Braun começou a comparecer em reuniões do Al-Anon [programa para familiares e amigos de alcoólicos]. “Quando chegou o momento e Justin precisava de ajuda para voltar ao bom caminho, queria me certificar de que eu era alguém a quem ele poderia recorrer”.

Desde então, Braun tem sido sobretudo protetor com Bieber, agora com 23 anos. Em julho, quando Bieber, exausto de se apresentar em mais de 150 shows em 16 mêses, quis cancelar as datas restantes de sua turnê, Braun não hesitou.

Imagem Destacada: (Reprodução/Instagram)

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